04 de setembro de 2017

Conheças as histórias de LIN O ANIMAL, um dos pixadores mais polêmicos de SP

Em mais um episódio da série “Pixo com X”, a Vaidapé entrevistou “LIN O ANIMAL”, da grife RGS. 


Por: Iuri Salles
Fotos: André Zuccolo
Vídeo: Henrique Santana

Um dos nomes mais polêmicos dentro da pixação, “LIN O Animal” conversou com a Vaidapé sobre os anos de briga entre as grifes, seu rolê nas ruas e a influência do crime organizado pra encerrar a treta entre os pixadores.

LIN está no pixo desde o fim dos anos 80, participou ativamente do lendário conflito entre as grifes Os Mais Imundos e Os Registrados no Código Penal (RGS), “Chegou uma hora que eu vi que não tinha como controlar a situação, a treta foi pra Campinas, Limeira, Sorocaba, Curitiba e a treta se espalhou.” relembra LIN.

O pixador falou sobre nascimento de uma das grifes mais importante da pixação, os RGS, e o processo de ascensão e queda da grife. Com muitos membros importantes sendo presos por diversos motivos, os RGS passaram por momentos difíceis quando, além das detenções, ainda enfrentavam os atropelos dos Mais Imundos.


CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA


VAIDAPÉ: Quem é o LIN dentro da pixação? Conta um pouco da sua história.

LIN: Eu comecei a pixar em 1988 com o meu tio, ele pixava JAMES. Tinha outros manos da quebrada que pixavam VAM e PIRO, eu me espelhei neles pra começar. Mas eu ainda nem sabia o que era pixação, pra mim era só por zoeira, uma espécie de anarquia. No começo eu pixava muito porta de escola, colocava ‘para as gatas’. Em 1989 eu comecei a trombar outros pixadores, minha história no LIN começou em 1990. Antes na verdade era NIL

VDP: No início teve um problema com o nome NIL?

LIN: Sim, eu descobri que tinha outro pixador que já fazia NIL, aí eu mudei pra LIN que é NIL de trás pra frente. Como LIN não tinha sentido, eu bolei ‘loucura incurável’. Os anos se passaram e, em 1997, eu apostei com outro pixador que eu conseguia fazer um pico e ele não subiu, então ele teve que começar a fazer LIN2. E esse moleque começou a representar, pixou pra caramba e infelizmente faleceu num acidente de moto. A partir daí eu mudei pra ‘loucura incurável’. O LIN2 e o TELO quando eu fui preso ajudaram a manter os RGS junto com os caras.

VDP: Você conviveu bastante com o TELO?

LIN: O TELO é meu fióte, muita gente fala do cara só pelo que ouviu dizer, nem conheceu o cara. O TELO é o seguinte: ele era uma cara muito humilde e levava muito a sério a pixação, ele pixava todo dia. Quando ele entrou nos RGS era 1996, ou seja, de 1990 até 1996 a gente já tinha até saído no jornal, porque os RGS já tinham feito o Fórum, Café Seleto, a Fame, era uns pico que todo mundo queria. Então quando ele chegou tinha um nome, uma moral e ele chegou e representou mas pelo fato de eu já ter pixado pra caramba, eu não conseguia acompanhar ele. Era foda, ele queria pixar todo dia. Eu falava pra ele ‘a gente já foi no Centro, já fez isso e vou pra casa tomar um banho e descansar’, e ele dizia ‘não vou pra Zona Norte foscar’ e ele ia que ia.

“Era foda, ele queria pixar todo dia. Eu falava pra ele: ‘a gente já foi no centro, vou pra casa tomar um banho e descansar’. Ele dizia: ‘não. Vou pra Zona Norte foscar’”

VDP: Você sabe por que o TELO foi assassinado?

LIN: O TELO tinha um cunhado que era dos RGS, o Salê, e esse Salê arrumou uma treta na escola e os caras bateram nele. Aí os RGS compraram essa briga, foram lá e bateram no pessoal que bateu no Salê. Nisso gerou uma treta de quebrada, um bairro contra o outro, a treta já tinha acabado, uns tinham morrido, eu fui preso, outro parou e virou trabalhador, enfim a vida seguiu. Os anos se passaram, o TELO já estava até trampando de motoboy, e os caras vieram na covardia e mataram ele com um tiro nas costas.

VDP: Então a morte do TELO não teve nada a ver com a treta com OS MAIS IMUNDOS?

LIN: Não, não teve.

VDP: Alguém chegou a ser assassinado de fato por causa da treta?

LIN: Morreu mano.

VDP: Você acha que esse conflito entre as grifes poderia ter sido pior?

LIN: Não, foi muito além do que eu imaginava. Chegou uma hora que eu vi que não tinha como controlar a situação, a treta foi pra Campinas, Limeira, Sorocaba, Curitiba. Se espalhou. A gente imaginava, pela proporção que tomaram as coisas, que não iria ter fim mas depois que eu saí da cadeia a gente conseguiu controlar a situação.

“A gente imaginava, pela proporção que tomaram as coisas, que não iria ter fim mas depois que eu saí da cadeia a gente conseguiu controlar a situação”

VDP: Como vocês fizeram pra acabar a treta?

LIN: Uma coisa que ajudou foi o DVD que eu gravei, eu mesmo nem gostava desses barato de dar entrevista e pá. Aí que o [Cripta] Djan trocou ideia comigo e me explicou que era bom a gente expor que a treta tinha acabado. Porque tava fora de controle, tinha muita gente inocente que nem sabia o por que da treta e tava um querendo matar o outro.

VDP: Qual você acha que é a sua contribuição mais importante para os RGS?

LIN: Cada um somou da sua forma, vários caras ajudaram pra chegar onde chegou. Mas eu posso falar que coloquei muita gente nos RGS, eu trouxe muito pixo pra grife. Os caras falam que eu fui o técnico dos RGS, eu montei o time.

Prédios pixados por Lin e Telo (Foto: Arquivo Pessoal)

VDP: Muita gente te aponta como pivô da treta entre Os Mais Imundos e O$ Registrados do Código Penal, é verdade?

LIN: Não é verdade. Eu tive uma treta com o cara que era dos Mais Imundos e eu cobrei ele, até mesmo o crime ficou sabendo dessas ideias e colocou uma pedra no assunto. [Era] Porque o cara me agrediu, e eu sou homem, se um cara bate na sua cara é lamentável, sua moral que está jogo. A treta mesmo se iniciou uns três anos depois.

Os Mais Imundos e os RGS são da mesma quebrada. Em 1997, Os Mais Imundos fizeram uma festa na Vila Carmosina, e o TELO passou em frente levando uma com os caras falando ‘aqui é RGS’ e saiu fora. Nisso os caras foram pegar o TELO lá na casa dele, mas ele não estava, os caras bateram palma saiu a família dele. Nessa, os caras aproveitaram e falaram que o TELO tinha mandado buscar as tintas que ele tinha em casa. Como a família já não gostava de pixador, deu todas as latinhas. E o TELO tava com muitas, porque ele tinha roubado uma casa de depósito.

“Os caras falam que eu fui o técnico dos RGS, eu montei o time”

VDP: E o que aconteceu depois que os caras levaram as latas?

LIN: A gente foi até quebrada dos caras procurando um por um dos caras que roubaram as latas, e deixou o recado: ‘a gente quer as latas do TELO de volta, se não aparecer vai estourar a treta’. Depois a gente voltou outro dia, explicou que só queria as latas de volta, que não ia atrasar ninguém e que era cada um no seu rolê. Só que os caras falaram que não iriam devolver nada e que se a gente quisesse treta era com nóis. Na mesma noite a gente já saiu socando o rolo no pixo deles, atropelando tudo. E a parti dai começou tudo…

VDP: Teve alguma grife que saiu mais prejudicada?

LIN: É difícil dizer, acho que eles saíram no prejuízo nas tretas mas depois que eu fui preso, outros integrantes morreram e infelizmente muitos RGS vieram a ser presos. Eu mesmo trombei vários RGS na cadeia. Em função disso, a gente enfraqueceu um pouco, porque a gente era forte na treta, aí um foi preso, outro morreu… eles aproveitaram e atropelaram mais pixo que nóis, mas na treta acho que eles levaram a pior.

“Eles aproveitaram e atropelaram mais pixo que nóis, mas na treta acho que eles levaram a pior”

VDP: Você lembra algum episódio muito violento entre as grifes?

LIN: A pior treta que eu vi foi quando a gente invadiu o point de São Mateus. Nesse point ficava várias grifes Mais Imundos, Dead Keany, Nada Somos e mais várias. Os RGS cercaram a praça e apanhou todo mundo, quem era Mais Imundos e quem não era. Teve um mano que tomou tanta blocada que perdeu até a orelha, o bagulho foi louco.

VDP: E você pixa até hoje?

LIN: Eu to aí na ativa. Eu só não pixei quando eu tava preso, e até preso eu pixei. A rebelião tava estralando, eu achei uma tinta, peguei uma espuma do colchão e fui pixar.

VDP: E como era trombar os caras dos Mais Imundos na cadeia?
LIN: Ah já teve umas ideias dos caras se estranhar dentro da cadeia, mas eu separei.

VDP: Se fosse nos dias de hoje, a treta chegaria até esse ponto?

LIN: Não, num teria, hoje a rua é diferente.

VDP: Quando foi decretada a paz entre as grifes teve influência direta do crime organizado?

LIN: Direta não, mas com certeza foram pixadores que tem contato com o Comando.

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