30 de outubro de 2017

Lu Manzin, uma artista multimídia em efervescência


Trabalho solo, banda Luzia, novas parcerias e a influência de suas experiências como mulher dentro de suas composições.


Por: Alan Felipe
Fotos: Alexandre Marin

No dia 31 de julho, o #VaidapéNaRua recebeu a artista visual, cantora, compositora e produtora independente Lu Manzin, que falou nos estúdios da Rádio Cidadã FM sobre seu trabalho de composição, a cena da música atual, seus projetos, parcerias e muito mais. A artista, que já fez teatro musical e compôs sua primeira música com apenas sete anos, atualmente se divide entre sua carreira solo, a banda Luzia e é backing vocal do grupo Amanajé Sound System.

Carreira Solo

Lu Manzin diz que a música sempre fez parte da sua vida. “Comecei na música quando nasci, porque meu pai é maestro, então desde criança eu tô em ensaio de coro clássico. Minha formação musical foi primordialmente clássica, aprendi a cantar ouvindo os ensaios do coral que ele regia”.

O primeiro EP Solo de Lu Manzin foi lançado no final do ano passado e se chama “Abusos”, composto por três faixas. A cantora diz, no entanto, que hoje daria um outro nome ao disco, e explica: “Abuso é muito mais do que te dar um soco. Acho que esse passo foi três passos maior que minha perna”. A artista conta que “‘Abusos’ é um projeto muito pessoal. “Surgiu depois de eu passar por um relacionamento muito abusivo e quando eu saí dele, eu renasci. Foi a pior coisa que aconteceu na minha vida e a melhor ao mesmo tempo, por conta dessa percepção”.

Ouça o EP “Abusos”, primeiro trabalho solo de Lu Manzin:

Esses abusos ainda fazem parte do cotidiano. Lu Manzin falou no programa sobre as dificuldades que encontra como mulher na cena musical, contando um causo que lhe aconteceu recentemente. “Semana passada fui dar carona para um cara reconhecido do mundo do rap no Rio de Janeiro mas o cara não soube diferenciar uma carona do resto da vida. Entrou no meu carro falando umas coisas, antes de sair me deixou muito desconfortável, ficou pegando na minha perna, saiu e deixou meu carro aberto, eu tive que insistir para ele sair do meu carro”.

A música “Mãe”, que tem “uma letra em que eu peço ajuda, o colo da minha mãe” é parte desse projeto que surgiu com o intuito de enfrentar e escancarar o machismo. A canção foi muito bem recebida. Virou objeto de estudo na aula de harmonia na Faculdade de Música da Unesp, trilha sonora de uma peça sobre transtornos psíquicos e é parte da apresentação de um Trabalho de Conclusão de Curso de dança.

Luzia e Amanajé Sound System

Em 2016, Lu Manzin conheceu o guitarrista Renato Putini porque sua “amiga achava o amigo dele bonitinho” e sentaram juntos no bar. Os dois conversaram e a sintonia foi instantânea quando falaram que compunham. Eles se juntaram a outros músicos e fizeram um show. A formação atual do grupo é composta por Helena Cruz no baixo, Pedro Lacerda na bateria e Pedro Ascaleta nas escaletas e Teclados.

A banda se chamava Lumanzin, mas a artista passou a se sentir desconfortável por batizar um grupo musical composto por outros artistas. O grupo então mudou de nome e hoje é a Banda Luzia, que vem realizando shows em SP, com a apresentação na Casa do Baixo Augusta, na próxima sexta. O som do grupo também não é definido e até a própria vocalista não consegue explicar: “Não se enquadra em um gênero musical, é influenciado pelo coro clássico e pela Maria Rita. Seria uma coisa bem experimental, conceitual, artística, essas palavras chiques” brinca.

As suas influências pessoais são Maria Rita, Criolo, Pitty, Ariana Grande e diz ter sido criada com Hanna Montana e Demi Lovato. Ela diz que, particularmente, procura algo mais próximo do Mainstream, mas “não sei como vai ser com a banda, a gente vai começar a conversar direito pra gravar”.

A entrada no grupo Amanajé Sound System – que lançou recentemente seu novo disco “Nossa Missão é Outra”, com vocais de Lu Manzin – aconteceu por acaso. Ela disse que foi fazer um show em um dia que “tinha seis pessoas na plateia, incluindo a outra banda”. O produtor do Amanajé estava lá, ouviu a artista cantar e a chamou para cantar junto com o grupo. Ela participa do novo CD do grupo e deu uma palhinha ao vivo no programa com a canção “Chega de Discriminação”.

Machismo e Veganismo

Lu Manzin conta que mais homens do que mulheres vem falar com ela sobre as denúncias e críticas ao machismo que compõe as letras de suas músicas. Ela conta o episódio de quando postou uma carta para ela mesma sobre os abusos e “sete homens vieram falar comigo, perguntando como [eles faziam para] não ser assim”. Ela diz que é fundamental o homem se colocar e usar do seu privilégio para dar exemplo.

Outro tópico importante para Lu Manzin é o veganismo. A artista explica ser a favor da prática do boicote. “Eu boicoto lugares, eu boicoto pessoas, eu boicoto alimentos que eu sei que me fazem mal, eu boicoto marcas porque sei que fazem mal para o ambiente ou pra outras pessoas, como trabalho escravo. Claro que vivendo em SP, no mundo capitalista é muito difícil você se livrar de tudo isso. E acho que é por isso que eu digo que sou vegana, isso não me restringe, me abre. Ser vegana, só me abriu porque eu sei que meu corpo pode muito mais do que ele podia”.

Todos os projetos de Lu Manzin estão disponíveis no site e em sua página do Facebook. A banda Luzia também está nas redes. No programa, ela cantou ao vivo o hit “Nem Vem”, a ainda não lançada “Esse cara devia tá Preso” e a sua parte em uma das músicas do Amanajé Sound System.

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