07 de novembro de 2017

Banda Veja Luz: ‘O reggae sempre foi mal visto pela parte alta da sociedade’

Por: Alan Felipe
Fotos: Alexandre Marin

No dia 10 de julho, o #VaidapéNaRua recebeu o grupo Veja Luz, diretamente da Zona Sul, que apresentou seu segundo disco “Escolhas”, com exclusividade, três dias após o lançamento na internet. Marcelo Caverna e Fernando Novaes, mais conhecido como Finnu, falaram nos estúdios da Cidadã FM sobre as parcerias da banda, influências e os caminhos de uma banda independente no Brasil.

O disco “Escolhas” havia sido lançado há apenas alguns dias, quando a banda apresentou os sons no programa. O início do trabalho de gravação, porém, começou há um ano e meio. “Assim como qualquer trabalho independente no Brasil, por conta das dificuldades financeiras, demorou para ser lançado e a gente teve esse cuidado a mais com o grau que a gente queria lançar, com a excelência máxima do nosso limite” explica Finnu. O disco foi custeado com dinheiro dos shows, “com muito suor e lágrimas”.

A espera valeu a pena e trouxe muitas participações especiais para o álbum, como o “amigo e parceiro de vida Sérgio Vaz”, que abre o disco com a poesia “Caminhos“, além de Black Alien, que divide a composição de “Dignidade” e o jamaicano Al Griffiths, atual líder do Gladiators, em “Like a Lion“. O disco tem ainda a presença de Débora Silva, do Movimento Mães de Maio na faixa “Estado Crítico“, o veterano do reggae nacional Jai Mahal em “Prosseguir” e Victor Rice em “Day After“.

ESCUTE O ÁLBUM COMPLETO NA PLAYLIST:

No álbum ainda há uma homenagem a Chico Buarque com a música “O Que Será”, canção considerada pela banda como “super importante para a cultura popular brasileira” diz Caverna. O som tinha sido gravado para um programa e não foi utilizado, mas a versão “ficou tão boa que o Sérgio Vaz mostrou pro Chico, que se encantou com a música e o Chico, ao se encantar, concedeu os direitos pra gente”. Para Caverna “é um privilégio gravar Chico Buarque, ainda mais nesse momento político que a gente passa no Brasil”.

Além da música, a banda tenta passar uma mensagem contra-hegemônica. “O reggae sempre foi mal visto pela parte alta da sociedade, ele sempre foi tachado como música de maconheiro, música do gueto, música de preto, música do que eles julgam de subalternos. E a gente vem para mudar esse paradigma mesmo, por isso que a gente procura trazer um outro tipo de diálogo” diz Finnu ao citar a faixa Estado Crítico, que tem participação de Débora, do Mães de Maio, e fala sobre o genocídio da juventude negra pelas mãos da Polícia Militar.

A dupla também falou sobre as dificuldades de fazer música independente nos dias de hoje e como a internet é um bom meio para ajudar na divulgação, mas também que “as pessoas estão consumindo cada vez mais de maneira descartável”.

 

A banda também lembra de nomes importantes para a cena independente e alternativa, como GOG, Mano Brown, André Sampaio e os Afromandingas, Aeromoças e Tenistas Russas, Z’África Brasil, Amanda Negrasim e Tati botelho, que junto a outras influências como Hermeto Paschoal, Lino Krizz, Moacir Santos, Thundercat, Snarky Puppy acabam fazendo o som do Veja Luz.

“A gente acaba fazendo essa fusão no Veja Luz e acaba dando esse molho, esse tempero especial. Por isso se você ouvir esse disco você vai ouvir um reggae com soul, vai ouvir reggae com jazz, vai ouvir reggae com hip hop e vai ouvir vários elementos de outros gêneros que tem sido influência no decorrer da nossa carreira” detalha Finnu.

A playlist do programa foi toda composta pelas músicas do novo álbum, a feixa-título do disco “Escolhas”, a regravação de Chico Buarque “O Que Será” e “Dignidade”, parceria com Black Alien. O álbum está disponível em todas as plataformas digitais.

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