14 de novembro de 2017

Dia do Rio Paraguai mobiliza população da região contra a destruição do ecossistema local


Há 18 anos, a data simboliza a resistência de um povo em defesa do rio, de sua cultura e do meio ambiente. 


Por: Equipe Vaidapé
Fotos: Júlia Mente 

O Dia do Rio Paraguai – 14 de novembro – é comemorado na cidade de Cáceres (MT) há 18 anos. Em 2000, com o intuito de fazer frente às ações promovidas pelo Governo Federal para a implantação da Hidrovia Paraguai-Paraná, a sociedade civil se mobilizou pela primeira vez, intervindo em uma audiência pública que marcava o processo de instalação do projeto da hidrovia.

Graças a pressão popular das manifestações e a intervenção junto ao Ministério Público, o projeto da Hidrovia foi embargado. Foi então instituído o dia do Rio Paraguai, para marcar essa data como referência para a luta, reflexão e valorização da mística ao redor do rio.

Neste ano, a população da região se reúne novamente para levar a Senhora do Pantanal pelas águas livres do rio, convidando as pessoas a se engajar na luta pela preservação do ecossistema a da cultura pantaneira. A Vaidapé está em Cáceres para acompanhar as manifestações e celebrações deste ano.

Essa resistência da sociedade civil, formada por diversos movimentos sociais, parceiros e moradores da região, trabalha para garantir a preservação do bioma e frear o avanço de cinco ameaças: a construção das hidrelétricas, a monocultura da soja, o uso de agrotóxicos, a mineração e a construção da hidrovia Paraguai-Paraná.

Com um grande número de rios e fluxo hidrológico, a Bacia Platina – da qual o Rio Paraguai faz parte – constitui a maior zona úmida de água doce do mundo. Seu território encontra-se dividido em cinco países: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Nesta região, a soja é o principal cultivo das terras agrícolas mais férteis, e representa ao menos metade da produção total de soja da América do Sul.

Padre Isidoro Salomão e Vanda dos Santos são dois personagens importantes dessa história. Todo ano, eles recebem na Chácara Tuiuiu dezenas de pessoas para um momento de formação, reflexão e imersão na luta pelo Rio Paraguai/Pantanal. Ambos construíram suas vidas lutando por causas sociais e ambientais, junto dos moradores e ribeirinhos da região pantaneira de Cáceres.

O Comitê Popular do Rio Paraguai/Paraná e a Sociedade Fé e Vida, da qual os dois fazem parte, começam suas atividades muitos meses antes. Desde agosto, foram realizados 16 encontros multiculturais chamados de Ações Pantaneiras. Os encontros promoviam desde rodas de prosa sobre agricultura familiar, cirandas tradicionais com mulheres da terra e das águas, até visitas e articulação com os assentamentos do sudoeste do Mato Grosso, e o levante pantaneiro – um encontro de produção criativa com os jovens sobre os impactos das ameaças.

O aspecto singular deste trabalho, liderado por Vanda e Salomão, é o resgate da cultura pantaneira, desde a relação com o rio e o meio ambiente até a valorização de músicas, cerimônias, rezas e danças tradicionais.

O dia 14 de novembro, no entanto, é o ápice de um trabalho muito maior. Marca o final e o início de um novo ciclo, em que são decididas as diretrizes que a luta vai tomar no próximo ano. Todo este processo é criado através de uma gestão socioambiental participativa, que contempla as reivindicações da sociedade civil.

O ato final leva pelas águas livres do Rio Paraguai, centenas de pessoas com mensagens que expressam o desejo de preservação do bioma. Nas faixas, além das cinco ameaças, são estampadas frases como “Ocupado para Reflexão”, “Rio Paraguai: não vou te deixar, te amo demais” e “Por um rio Paraguai/Pantanal por inteiro e sem limites”.

Neste ano, participam da ação representantes de organizações de mais de 15 municípios que fazem parte do Comitê, incluindo a Sociedade Fé e Vida, o Instituto Gaia, ambos da cidade de Cáceres, diversas ONGs de todo o estado do Mato Grosso, além de escolas, comunidades ribeirinhas, assentamentos, parceiros, e uma delegação boliviana.

A RUA GRITA

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