14 de novembro de 2017

Filme Baderna retoma Cinema Novo e estreia quinta-feira no Teatro de Contêiner


Doc-ficção realizado na Chapada Diamantina apresenta manifestações culturais da região, narrando a chegada de um orixá à cidade inspirada na bailarina do século 19 


Da Redação

Cartaz do longa Baderna, que estreia nessa quinta (16), no Teatro de Conteiner.

Estreia quinta-feira (16), após a Proclamação da República, o longa-metragem Baderna, no Teatro de Contêiner da Cia. Mugunzá. Na linha do Cinema Novo, o filme retrata as expressões populares de uma cidade fantástica, onde realidade e ficção se misturam para narrar a chegada do orixá da cura, Obaluaê.

A exibição começa às 20h, seguida de debate com os realizadores, outros diretores de produções independentes e um show exclusivo da banda EnFrente!

CONFIRA O TRAILER DO FILME BADERNA:

As filmagens de Baderna aconteceram no início do ano na Chapada Diamantina, Bahia, com abordagens documentais e a participação de atores da região. Capoeira, maracatu e jarê (o candomblé local) são algumas das manifestações culturais presentes no doc-ficção, bancado com recursos próprios. O roteiro, produzido a quatro mãos ao longo da montagem, partiu da memória da bailarina italiana Marietta Baderna (1828-1870), amante dos ritmos afro-brasileiros.

Baderna se exilou no Brasil durante a Unificação Italiana, período em que o país estava sob a ocupação da Áustria. Com o título de primeira bailarina absoluta, era muito admirada pela Corte e os intelectuais da época. Apesar de o balé clássico ser a expressão oficial da dança, a bailarina tinha preferência pelos ritmos populares, como a cachuca, a umbigada e o lundum. Com isso, desagradou a aristocracia e tornou-se a musa dos negros ainda escravizados pelo Império.

Cena do filme Baderna, que foi inspirado na história de bailarina italiana no Brasil.

“A história da bailarina foi o ponto de partida para a idealização do filme”, conta o diretor do longa, Bruno Graziano. “Por coincidência, é o mesmo nome de uma da ruas centrais da cidade de Lençóis, capital turística da Chapada Diamantina, onde foi feita a maior parte das filmagens. “O argumento de Baderna foi maturado ao longo de um ano, após cinco semanas de filmagem, com cinco meses de montagem e um mês de pós-produção. Foram investidos 31 mil reais, sobretudo em logística, cachês e serviços de finalização. A produção ficou a cargo do jornalista Bruno Cirillo.

O diretor de Baderna, Bruno Graziano e o produtor Bruno Cirillo

Graziano explica que Baderna integra uma série de filmes que vêm sendo feitos por um grupo de cineastas independentes com a insígnia de Cinema Suado, como Largou as botas e mergulhou no céu (2016), que estreou no Espaço Itaú e teve a ilustre presença do diretor pernambucano Cláudio Assis.

“São atos cinematográficos fora da academia, através da oralidade e das vivências reais pelo país, com honestidade e paixão. Usamos cachês da publicidade para fazer cinema independente”, conta o cineasta, dono da produtora Controle Remoto.

Obaluaê

No elenco de Baderna, destacam-se os atores da Chapada Diamantina. O papel da bailarina é desempenhado por Rose Lane, coordenadora do projeto Grãos de Luz e Griô, ponto de cultura que promove artistas em Lençóis. O capoeirista Aílton Santos, protagonista de Besouro (2009), aparece na cena de luta que é mais uma de suas participações em diversos longas, inclusive internacionais. O protagonista do filme é Ricardo “Boa Sorte” Xavier, talentoso ator da região.

O capoeirista Aílton Santos em cena do filme.

Baderna foi a primeira experiência de Boa Sorte em um longa-metragem. “Foi um processo bem colaborativo”, ele lembra. “Gostei muito desse processo de construir o roteiro e a narrativa durante a produção, como uma família.”

Obaluaê, o orixá representado por Boa Sorte, é um dos mais importantes do candomblé baiano. Representa o poder de cura que remonta às suas histórias – um guerreiro doente curado por outros orixás. “Interpretá-lo foi um desafio”, diz Ricardo, “estou muito feliz por ter participado.”


MARQUE NA AGENDA


Estreia: Baderna

Quando: Quinta-feira (16/11) – 19h

Onde: Teatro de Contêiner – Rua dos Gusmões, 47 – Sta. Ifigênia

Como: Entrada gratuita

 

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