22 de dezembro de 2017

Retrospectiva: 2017 só não demorou mais do que ler a matéria do Fofão da Augusta


a música brasileira do ano não podia ter outro nome. K.O da pablo vittar resumiu o nocaute


Por Paulo Motoryn
Foto: André Zuccolo

o ano que começou com o dória fantasiado de gari tá demorando mais do que terminar de ler a reportagem do fofão da augusta, um textão que só não tem mais caracteres que os 4,5 bilhões de pessoas que tornaram despacito o vídeo mais assistido da história do youtube – o único grande esforço coletivo da humanidade em 2017.

a música brasileira do ano não podia ter outro nome. K.O da pablo vittar resumiu o nocaute: em fevereiro, uma reforma do ensino médio autoritária que agradou a quem quer uma escola sem partido, mas com muros. muros que ganham força no brasil, com o corte de tantos direitos, e lá fora, com trump dando as cartas de uma geo-política mundial que produz cada vez mais refugiados, mortes e medo.

o belchior tinha nos prometido que “esse ano eu não morro”, mas não deu certo. se foi um ícone e a esperança do seu retorno. 2017 só trouxe de volta os tribalistas e o menino esquisito do acre.

o ano que os justiceiros tatuaram a testa de um “bandido” com deficiência mental foi tão bosta que uma das coisas que deu esperança pra muita gente foi ver o novo namorado da fátima bernardes.

tá explicado porque a lady gaga não veio para o rock in rio e porque o game que virou febre foi baleia azul. vem 2018 que eu já anotei na agenda: janeiro, julgamento do Lula, fevereiro tem carnaval, junho é a copa e outubro as eleições. o ano que vem só começa em 2019, mas vai ser muito mais legal.