20 de dezembro de 2017

Vai começar a temporada dos festivais alternativos na Bahia


Da Costa do Dendê à Chapada Diamantina, verão baiano tem duas semanas de espetáculos com os maiores nomes da música eletrônica internacional


Por: Bruno Cirillo
Fotos: Divulgação

Os DJs mais célebres do mundo têm passagens garantidas para o Ano Novo, e o destino desses superstars da música eletrônica é a Bahia. Os artistas desembarcam em Salvador nas próximas semanas para se apresentar no Universo Paralello e no Ressonar Festival, duas grandes produções da cena alternativa. A 14ª edição do UP acontece na Praia de Pratigí, localizada na Costa do Dendê, entre os dias 27 de dezembro e 3 de janeiro. E o Ressonar comemora dez anos no dia 2, com festa até o dia 11, nas serras bucólicas de Piatã, cidade localizada no ponto mais alto da Chapada Diamantina.


“No final dos anos 70, comecei a ouvir música eletrônica e encontrei aí a combinação perfeita entre ritmos tribais do passado e sons futuristas, sintetizados, quase alienígenas. A música tornou-se um ciclo completo, do tribalismo ao cibertribalismo, o que traduz de forma perfeita os tempos atuais. Quando toco, toda a música e a comunhão que dela deriva devem elevar-se ao espírito cósmico. Isto era o que os antigos xamãs e grupos tribais de todo o mundo faziam em tempos remotos. Eu me limito a atualizá-lo”, diz Goa Gil, referência da cena eletrônica, que participou do movimento hippie Haight Hashbury, nos Estados Unidos, e fez mestrado de psicodelia em Goa, na Índia.

Goa Gil é uma das atrações do UP, que também recebe os gêmeos Alok e Bashkar, superstars DJs que estão na crista da onda da e-music mundial, promovendo o estilo brazilian bass. Neste ano, Alok foi convidado para gravar uma música com o Mick Jagger, depois de ter tocado, em julho, no aniversário do filho do roqueiro com a apresentadora Luciana Gimenez. No total, 98 DJs e 22 bandas estão na programação, como Lenine, Gabriel O Pensador, Black Alien e Russo Passapusso.

A estrutura do festival conta com três áreas de camping, banheiros com chuveiros e sanitários, posto médico 24h, equipe de salva-vidas 24h, farmácia, guarda volumes, info stand, lan house, agência de viagem (on-line), estacionamento com segurança, cozinha comunitária, feira mix, área de recreação infantil, praça de alimentação com mais de 30 opções e bares. As atrações acontecem nos sete palcos do UP (Palco Tortuga, 303, Chill Out, Circulou, Palco Paralello, UP Club e Main Fllor).

A 10ª edição do Ressonar dá continuidade ao circuito de música que eletrifica a Bahia no fim do ano, atraindo uma legião de fãs de trance. Entre as atrações, está o australiano Kalya Scintilla, em turnê mundial, que vem para o Brasil após uma série de shows nos Estados Unidos e Canadá. Os DJs Naked Tourist e Aodioiboa, da Alemanha, e Nadav Nagon, de Israel, são os headliners do Ressonar. A programação também conta com coletivos artísticos do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e santa Catarina.

“Antigamente, pra fazer um festival, tinha que trazer a banda inteira, o que era muito complicado. Hoje, tem DJ que, sozinho, faz shows de 24h”, comenta o organizador do evento, Uirá Meneses, referindo-se às apresentações de Goa Gil. Filho de um produtor de festivais de rock que hospedou Janis Joplin na praia de Arembepe, nos anos 1970, Uirá está levando adiante a tradição paterna, mas à moda contemporânea. “Estamos nos consagrando como referência dos festivais alternativos. Vamos receber um público com pessoas de mais de vinte nacionalidades, inclusive famílias”, ele conta. Pelo menos mil pessoas são esperadas para a celebração, que conta com três pistas de dança, camping e uma praça de alimentação gourmet.

A cidade de Piatã, onde será realizado o Ressonar, está localizada num platô de 1,5 mil metros de altura, com 20 mil habitantes, três hospedarias e atrativos turísticos como o Pico do Barbado e as Cachoeiras do Patrício e do Cochó. Para hospedagem no centro do município, as reservas precisam ser feitas com antecedência, em pousadas ou casas de aluguel, pois a procura deve ser alta na véspera.

Para o guru Cláudio Prado, que compunha a comissão de frente da contracultura nos anos 1970, produzindo artistas como Novos Baianos e Mutantes, além de levá-los para festivais internacionais como Glastonbury, na Inglaterra, há muitas semelhanças entre os eventos atuais e os movimentos daquela época. “Estamos presenciando o renascimento dos valores políticos e culturais que foram semeados nos anos 1960”, diz o sociólogo e fundador da ONG Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, que visa promover as novidades tecnológicas a favor da sociedade e suas expressões culturais.

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