11 de janeiro de 2018

Yemanja.


Por: Benjamin Wagner*

Foto: Marcela de Paula


Para C. Erisman

Uma mulher sem nada

Somente luar

Como vestido

Enche seu peito

Com ar perfumado do mar

Subindo suas escadas de vidro colorido

Enterrado

Sob as dunas

Um caramujo

Uma voz canaliza,

Da câmara mais íntima

Letras flutuando para longe

Como desfiles em inky

De poesia

Cada palavra é uma criança

Que aprende a andar

Diante dos nossos olhos

Cada imagem oscilando

Na face litoranea

De sugestão

Um tordo-dos-bosques

Coloca uma noz de cola

Aos pés dela

E voa para o norte

Através de um noturno

batismo

de chuva tropical.


*Originalmente publicado em inglês:


For C. Erisman.

A woman with nothing

but moonlight

for a robe

fills her chest

with the sea-perfumed air

ascending her stained glass stairs

Buried

beneath the dunes

is a conch

A voice tunnels

from the inmost chamber,

letters float away

like inky parades

of poetry

Each word is a child

that  learns to walk

before our eyes,

each image laps

against the shores

of suggestion

A wood thrush

places a kola nut

at her feet

and flies north

through a nocturnal

christening

of tropical rain. (Benjamin Wagner).

 

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