16 de março de 2018

#MariellePresente no ato da Paulista


Um relato sobre o ato de luto em homenagem à ex-vereadora Marielle Franco


Por Magalli Lima
Fotos: Lucas Redondo

15 de março. Cerca de 20h. Calçada do Parque Trianon, São Paulo. Uma TV ligada ao ar livre, em uma estrutura montada por um grupo, transmite notícias da grande mídia, ao vivo, sobre as manifestações de luto à Marielle Franco pelo Brasil. A reportagem começa a falar sobre o ato na Avenida Paulista, onde eu e mais milhares de pessoas estávamos naquele momento.

Ao abordar a manifestação por lá, a repórter lembra quem era Marielle: “Vereadora do PSOL que lutava por diversas pautas de Direitos Humanos”. Sim, Direitos Humanos. Os grandes jornais têm resumido as pautas específicas de Marielle dentro dos Direitos Humanos. Talvez numa vã tentativa de fazer com que suas lutas sejam vistas dentro do covarde discurso de: defensores de bandidos – já que, infelizmente, é assim que uma parcela privilegiada da população enxerga tais direitos. Ou talvez por suas demandas e lutas serem um tanto desconcertantes para as poucas representativas abordagens jornalísticas.

Então especifiquemos resumidamente as lutas da ex-vereadora aqui.

Marielle era um grande fio condutor da favela para a política. Mulher negra, oriunda da favela da Maré (RJ), socióloga, bissexual e mãe, ela engajou-se na luta dos negros de periferia (contra o genocídio e no acesso à educação e cultura); pelos direitos da mulher, da mulher negra e das minorias na sociedade. Para além de tudo isso, Marielle foi uma figura de representatividade popular inspiradora para as novas gerações.

É por tudo isso que sua execução brutal na noite de 14 de março tem mobilizado tanta gente a ocupar as ruas. A palavra é IDENTIFICAÇÃO, visto que somos uma população já com maioria negra e parda; com grande parcela periférica; e num cenário assustadoramente violento para mulheres, negrxs e LGBT’s. Nesse contexto, a morte de Marielle representa SILENCIAMENTO.

Estar no ato da Avenida Paulista, marchando junto a uma multidão sem fim de pessoas, rodeada por muitas mulheres negras em luto, foi doloroso, triste e desesperançoso. Nenhum dos gritos de “Fora Temer”, “Fora Alckmin” ou sobre o fim da polícia militar conseguiram representar a dor da mulher negra brasileira na manifestação de ontem. Nenhum deles foram suficientes para externar toda a dureza de uma realidade onde o povo negro e periférico se vê um pouco mais desamparado politicamente.

Da Avenida Paulista à rua da Consolação, o microfone baixo para todo aquele mar de gente levantou relatos de quem conheceu Marielle de perto, de quem pode trabalhar com ela e vivenciar suas lutas diárias. Um ato repleto de choros, homenagens, velas e cartazes. Um movimento que reuniu apoiadores, coletivos, partidos políticos, levantes negros e até estudantes que usam as pesquisas da ex-vereadora como estudo bibliográfico.

Não foi uma ação de sair com a alma lavada, nem de torcer por dias melhores. Mas de buscar por força. De velar à céu aberto um símbolo de esperança política. De atentar-se à nossa luta diária por representatividade. De tentar transpor “luto em luta”, como entoaram muitos da multidão.

Por fim, e na importância de bradar que esse não será mais um desfecho de injustiça, ficaram nas escadarias da praça Roosevelt os votos para que não esqueçamos Março. O mesmo março que celebrou o Dia Internacional das Mulheres. Que matou Claudia Ferreira arrastada pela polícia. Que executou Marielle Franco com quatro tiros na face. E que ainda abrigará, no próximo dia 21, o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial .

#Mariellepresente #ClaudiaFerreirapresente #povonegroemluta #vivamaré

A RUA GRITA

Volta Negra: a história do negro no Centro de São Paulo

Novo ciclo de caminhadas da Volta Negra começa neste sábado e tem atividades programadas para os próximos dois meses

A RUA GRITA

Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

Criado pela Cia. Nada Pensativo, peça Cora Primavera aborda questões como transfobia e violência contra … Continuar lendo Últimos 3 dias para ajudar: Cora Primavera vai às ruas!

A RUA GRITA

Volta Negra: um caminho da História de São Paulo

A caminhada acontecerá por pontos da cidade como a Praça da Liberdade, a estação Anhangabaú de Metrô e a Praça Antônio Prado. Até o século XIX, esses locais sediavam, respectivamente, a Forca, o Mercado de Escravos e a Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

A RUA GRITA

Entrevistamos a rapaziada que pixou o tradicional Beco do Batman

Os coletivos PIXOAÇÃO e ARDEPIXO pixaram o internacionalmente conhecido Beco Batman que abriga obras dos … Continuar lendo Entrevistamos a rapaziada que pixou o tradicional Beco do Batman