14 de dezembro de 2018

Por que um pixador brasileiro atacou o Museu Moco em Amsterdã.

Bruno Rodrigues, pixador brasileiro testou os limites da arte moderna e no último dia 06/12 realizou um ataque ao museu holandês Moco, situado em Amsterdã, o museu recebe uma exposição não autorizada de um dos ícones da arte de rua, Banksy.

Para construir a exposição intitulada “Não Autorizado” o museu adquiriu obras do artista e as colocou para exibição, sem qualquer autorização ou participação do Banksy, o título da exposição serviu como convite para o pixador, “a frase não autorizado reflete diretamente nas condutas originarias da rua e do movimento pixação!  É um convite para se fazer arte conceitual na fachada do museu” defende Bruno Rodrigues.

A intenção do pixador era testar até onde iria o conceito de não autorizado do museu, “resolvi questionar as condutas aplicadas e até onde faz sentido dizer a frase “não autorizado”. Em poucas horas a frase que eu pixei estava apagada” explica o pixador.

Vamos trocar uma ideia com o Bruno para entendermos melhor as suas motivações e como foi fazer essa pixação dentro de uma capital europeia, e os desafios para burlar a segurança de um prestigiado complexo de museus.

Revista Vaidapé: Qual foi a sua motivação para realizar a pixação no Museu?

Bruno Rodrigues: Observando as redes sociais, as postagens e a conduta do Museu Moco, eu percebi que eles faziam um convite para fazer arte conceitual na sua faixada. No meu entender a frase “não autorizado”, é sobre a exposição que está em cartaz e se eles não têm a legitimidade do artista, isso se torna um convite direto para a pixação. Então dentro desse pensamento eu resolvi fazer a minha arte na fachada do museu, com todos conceitos transgressores, sem convite, sem pedir autorização, se eu pedisse autorização para eu colocar minha obra lá eu não teria a potência originária da rua. Então essa era a única de estar dentro do museu, eu fui por conta própria e fiz minha obra, minha pixação no museu, fiz minha arte e ainda coloquei em cheque o Museu, até onde vai a transgressão, até onde ele está disposto a aceitar isso.

2 – Qual a sua opinião em ver que o museu apagou rapidamente o pixo?

Na minha opinião o museu perdeu uma grande oportunidade, assim como as bienais e galerias no Brasil, quando essas instituições sofreram ataques, de modo geral elas receberam toda a potência, todo poder artístico, toda potência questionadora, arte política do movimento pixo dentro de um espaço institucional. E esses locais mostraram que não estão prontos para receber a pixação, então refletindo sobre essa ação do museu mais uma vez fica claro que eles ainda não estão prontos para entender o que é a rua, o que é a arte de rua. Quando eles têm a possibilidade de ter um diálogo e uma aproximação vão contra tudo o que pregam.

3 – Como você vê a questão de o artista não participar da curadoria da exposição?

Sem a curadoria do Bansky a exposição é algo sem originalidade, é uma coisa vazia, sem qualquer legitimidade do artista, o artista fez a arte na rua, a exposição não tem nenhum conceito, nenhuma potência. É uma exposição rasa, sem a curadoria da pessoa que fez a obra eles não tem legitimidade de ter aquilo, de vender aquilo, é tudo meio falso, um engodo, não é real, não tem a legitimidade de quem fez, você não tem as motivações, é quase nada e deixa claro a intenção real do museu: capitalizar.

4 – E como foi essa escolha para pixar o Moco? Existia uma estratégia prévia?

A ação teve uma estratégia sim, toda ação onde quer que seja tem um planejamento, nada é feito sem um estudo, existe todo um contexto antes de deixar sua obra, seu pixo. Eu estudei o lugar, fiz toda a estratégia de guerrilha até porque é um rolê diferente, uma ação diferente e requer toda atenção. Ali é um complexo importante de museus, tem câmeras, tem muita segurança, mas como aprendi a sobreviver em São Paulo onde a polícia é repressora, a cidade é repressora, por mais que na Holanda não exista tantos problemas sociais, não podemos subestimar a inteligência local, sabemos que existe uma força repressora que está pronta pra agir à altura.

5 – Você fez algo parecido no Brasil, de retirar uma obra do KOP da rua e colocou dentro de um espaço de arte, o que diferencia seu trabalho da exposição não autorizada do Bansky?

O trabalho que eu fiz na obra “Pixo” onde eu removi o pixo do KOP da rua, ao contrário do que os colecionadores fazem, eu tive a autorização do cara e eu tenho a legitimidade da rua porque eu sou pixador, sofro pela pixação, sei como é a rua, eu sigo as condutas da rua que eu tenho que seguir. Então eu tive que ter toda legitimidade e a autorização do artista para tirar a arte dele da rua, e levei para um ambiente artístico com toda potência da rua e levando todo sentido.

6 – Qual é a relação entre a pixação e a obra do Bansky?

Uma relação com o trampo do mano é o sarcasmo, essa brincadeira de interações, acho interessante como ele coloca que a sociedade capitalista consome tudo. Existem algumas relações pontuais entre o trabalho do Banksy e a pixação, esse questionamento da sociedade, do poder público, que está presente no trabalho do mano e na pixação em um contexto geral.

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