11 de março de 2020

Ligação do crime organizado internacional com a extrema-direita explica prisão de Ronaldinho

Por Paulo Motoryn, com informações de Luís Nassif, do GGN.

Ronaldinho Gaúcho afirmou que viajou ao Paraguai a convite do empresário carioca Nelson Belotti e da empresária paraguaia Délia Lopes. Sobre Délia, muito se falou. Há todos os indícios de que trabalha com lavagem de dinheiro, valendo-se de ONGs beneficentes. Porém, o personagem central da história é o empresário Nelson Belotti.

Belotti surgiu no noticiário sobre a Lava Jato em 2015. A força-tarefa de Curitiba tinha o empresário como suspeito de participar do esquema de lavagem do doleiro Alberto Youssef. O ex-senador José Janene, do PP, seria um dos políticos beneficiados.

Nelson Belotti acompanhado de sua mulher (Foto: Reprodução)

Ocorre que, por razões desconhecidas, a Lava Jato – que já quebrou o sigilo das contas de Belotti – decidiu não avançar sobre a investigação. Apesar de ter recebido, de maneira suspeita, 24 milhões de reais em suas contas, e de ter repassado quase meio milhão de reais para outra, vinculada a Youssef – e que teria Janene como destinatário final – Belotti foi poupado de qualquer denúncia.

Curiosamente, ele foi morar no Paraguai, país que se tornou parceiro preferencial dos negócios obscuros dos Bolsonaro, como ficou claro na tentativa de compra da energia excedente de Itaipu por grupos de lixo ligados a Bolsonaro, com intervenção direta do Ministro das Relações Exteriores. Em terras paraguaias, o empresário Nelson Belotti, notabilizou-se por ser dono do cassino Il Palazzo, localizado no hotel (Hotel Resort Yacht y Golf Club Paraguayo) em que Ronaldinho estava inicialmente hospedado.

Os interesses diretos de Bolsonaro com a legalização dos jogos no Brasil envolve um triângulo montado com Donald Trump e o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em uma das visitas de Bolsonaro a Trump, na Casa Branca, um dos temas tratados foi o da legalização dos cassinos no Brasil.

Poucos dias depois, o ministro do Turismo anunciou que o governo iria propor no Congresso Nacional um debate sobre cassinos integrados a resorts – justamente o modelo de Sheldon Adelson, presidente da Las Vegas Sand Coorporation. Sheldon é um bilionário, mais conhecido dono de cassinos em Las Vegas e, além disso, um dos principais apoiadores e doadores de Trump. Foi ele quem convenceu o presidente norte-americano a mudar a embaixada de Israel para Jerusalém.

Em setembro do ano passado, Sheldon foi visitado pelo presidente da Embratur, Gilson Machado Neto. Em janeiro, recebeu Flávio Bolsonaro, acompanhado do presidente da Embratur.

Flávio acompanhado de parlamentares na visita

Vale lembrar que além de seu apreço especial pelos cassinos, Bolsonaro também tomou decisões e mostrou proximidade com a indústria do lixo, um dos campos preferenciais de atuação da máfia; tentou interferir na fiscalização do porto de Itaguaí, porta de entrada do contrabando de armas; e flexibilizou as regras das vaquejadas.

Bolsonaro significa não apenas a ascensão das milícias e dos grupos internos de contravenção, mas um ponto central no avanço do crime organizado internacional. Ronaldinho não foi indicado por Bolsonaro como embaixador emérito do Brasil à toa, ele é uma peça nos interesses internacionais da família Bolsonaro, comprometidos apenas com o que há de mais podre na humanidade.