02 de abril de 2020

Como apoiar as periferias nessa pandemia

Da Redação
Foto em destaque: André Zuccolo

A pandemia do coronavírus que atinge o país está se espalhando e deve chegar com força nas favelas e zonas periféricas das grandes cidades nos próximos dias. Com grande adensamento populacional, condições precárias de saneamento e infraestrutura e a falta de renda por conta da quarentena, a covid-19 pode atingir de forma trágica essas comunidades. A grande pergunta que fica é: O que podemos fazer para diminuir os impactos sobre a população periférica?

Para diminuir as perdas pela paralisação do trabalho de muitos moradores e moradoras e suprir as necessidades básicas e de prevenção para as famílias, coletivos tem se articulado para receber doações de pessoas físicas, fornecer cestas básicas, kits de higiene e cadastrar espaços, movimentos sociais e religiosos que possam distribuir essas doações aos moradores.

Confira algumas iniciativas para ajudar:

UNEAFRO BRASIL:

A rede de cursinhos populares UNEAFRO iniciou a campanha “Enfrentar o genocídio pelo COVID-19 – Apoio às periferias onde a Uneafro atua” para arrecadação de doações que serão distribuídas em forma de cestas básicas, kits de higiene e limpeza e repasses diretos dentro das dezenas de comunidade em que o movimento atua no Rio de Janeiro e São Paulo.

A campanha está na segunda fase de arrecadação e você pode doar pela plataforma Vakinha, ou conta bancária informada no mesmo link da campanha. Na descrição do projeto, é possível conferir para onde será destinado o dinheiro e quantas famílias e comunidades serão atendidas.

A meta nessa fase é chegar ao valor de R$ 270 mil e ajudar mais 600 famílias em periferias de SP e RJ, além de 600 pessoas ligadas à rede dos coletivos Rede UBUNTU, MSTC, AMPARAR, ONG Herdeiros Humanísticos, Favela no Poder, Batalha do Paraisópolis e Comunidade Evangélica Voz que Prega no Deserto, de Heliópolis.


Segue o link para ajudar a 2a fase da Campanha de Apoio Imediato para as Famílias Negras e Periféricas – Covid-19


A primeira fase da campanha foi concluída com a distribuição de 146 cestas básicas e kits de higiene para 241 famílias nas periferias de SP e RJ; 800 marmitas no Jd Miriam/SP; e o repasse financeiro para 87 alunos, professores e coordenadores da rede de educação comunitária da UNEAFRO, que estão sem fonte de renda. Isso foi possível com a ajuda de mais de 500 doadores que ultrapassaram a meta de R$ 50 mil arrecadados.

A UNEAFRO reforça o chamado para fortalecer organizações de base. “Sem ação cotidiana no chão onde o povo pisa, não há efetividade no combate às desigualdades. Nem nos tempos de coronavírus, nem na violência e na crise que assolam pretxs e periféricxs permanentemente.”

Mais informações pelo Instagram da UNEAFRO BRASIL.

CUFA – CENTRAL ÚNICA DAS FAVELAS

A articulação da CUFA está presente em todos os estados brasileiros com atuação direta e apoio às iniciativas locais, especialmente nas áreas de cultura e esporte. A Central Única das Favelas está concentrando suas estruturas na campanha #cufacontraovirus.

No último dia 22, foi lançado um vídeo da música O Mundo Parou, escrita por Dudu Nobre, Edi Rock, Dexter e Ivo Meirelles. O clipe é interpretado por artistas como Alcione, Pericles, Karol Conká, Sandra de Sá, Grupo Bom Gosto, MC Menor MR, entre outros.

Para diminuir o impacto do coronavírus nas favelas de todo o país, a CUFA se uniu a centenas de organizações sociais promovendo “campanhas in loco para conscientizar os moradores, colaboração na distribuição de alimentos, álcool em gel, cesta básica ou mesmo em processo de elaboração de novas práticas e formação de redes de favelas”.

Está aberta uma campanha para arrecadar doações para as ações por meio da plataforma Vakinha.


Clique aqui para acessar a campanha #favelacontraovirus e fazer sua doação!


COMBATE AO CORONAVÍRUS NAS COMUNIDADES DO RJ

O  Movimento 342 e a Associação Procure Saber. criaram uma campanha de doação para compra de cestas básicas com itens de higiene pessoal e alimentação aos moradores das favelas no Rio de Janeiro. A distribuição será realizada pelo Instituto Phi e os recursos serão destinados para ações articuladas pelos coletivos Papo RetoVoz das ComunidadesRocinha Resiste e Redes da Maré.


Acesse o link para participar da campanha #Ação342: Apoio para Coletivos de Favelas do Rio de Janeiro


REDE DE APOIO HUMANITÁRIO DE SP

As organizações Frente Favela Brasil, Periferia é o Centro, Rede Geração Solidaria, FUNANI e Nova Frente Negra Brasileira se juntaram com o objetivo de ampliar as frente de atuação para amparar famílias faveladas e periféricas que não encontram suporte institucional para seguirem com dignidade diante da pandemia de coronavírus.

Assim surgiu a Rede de Apoio Humanitário para as Periferias de SP, uma articulação autônoma em diferentes periferias e regiões da cidade para ajudar as pessoas em seus bairros e outras comunidades carentes da cidade que se encontram isoladas e sem assistência durante a quarentena do Covid-19.

Este formulário tem o objetivo de cadastrar doadores de cestas básicas, produtos de higiene / limpeza e de proteção (máscaras e luvas) e/ou voluntárias (os) para ações de logística nos territórios, possibilitando assim uma maior agilidade na entrega e no recebimento. A conta para quem fará doações esta disponível no formulário.

O grupo também ressalta a importância de ações de base nos territórios periféricos: “Assim como em outros períodos da história, nosso senso comunitário será decisivo para resistirmos à essa crise. É o momento de partilharmos nossas expertises e nossas poucas riquezas com nossas comunidades. Ubuntu deixará de ser um discurso para ser nossa realidade. Seguiremos resistindo”

Eles se organizam por meio de um grupo do Whatsapp para mapear pessoas com necessidades financeiras, alimentícias ou de transporte. As demandas são divulgadas na página do coletivo no Facebook para solicitar doações.


Preencha o formulário para ajudar na articulação da Rede


HELIÓPOLIS CONTRA O CORONAVÍRUS

A UNAS (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região) atua na favela de Heliópolis desde 1978 e é responsável por diversos projetos  em diferentes áreas para os moradores da comunidade.

A partir da articulação que possuem no bairro, eles criaram uma campanha de doação para arrecadar recursos financeiros e ajudar as famílias em tempos de quarentena. A cada R$ 150,00 você doa uma cesta básica + kit de higiene e limpeza a uma família de Heliópolis.


Acesse a campanha e apoie o projeto!


 

PARAISÓPOLIS CONTRA O CORONAVÍRUS

Na favela do Paraisópolis vivem 100 mil pessoas e a grande maioria sofre com a falta de atuação do poder público e disponibilidade de infraestrutura para os moradores. Por isso, a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis iniciou uma campanha de conscientização e apoio às famílias desde o início da pandemia de coronavírus.

O G10 Favelas de Paraisópolis organizou núcleos que reúnem 420 moradores voluntários como Presidentes de Rua. Eles atuam em comitês responsáveis por articular a doação de itens básicos e promover a conscientização para famílias que vivem em 50 casas próximas de onde moram.

As doações para essas ações podem ser realizadas por meio da campanha de arrecadação do G10 Favelas.


Acesse e contribua com a campanha!


 

APIB – APOIO AOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL

 

A APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) reforça o perigo dos efeitos devastadores que o coronavírus pode representar aos povos indígenas e lembra que “a gripe, a varíola e o sarampo foram algumas das doenças introduzidas em nossos territórios por não indígenas e que exterminaram muitos dos nossos antepassados. O coronavírus é mais uma dessas ameaças.”

Por isso, o movimento criou uma campanha de arrecadação para a compra de alimentos, remédios e material de higiene para as aldeias no Brasil.


Saiba como apoiar os povos indígenas contra o Coronavírus.


 

QUARENTENA REMUNERADA PARA DOMÉSTICAS E DIARISTAS

Um grupo de filhos e filhas de empregadas (os) domésticas e diaristas lançou um Manifesto e um abaixo-assinado exigindo o direito destes trabalhadores (as) à quarentena remunerada durante a pandemia de coronavírus. Eles alegam que o risco de contágio é imenso para este tipo de profissional, tanto no deslocamento por meio do transporte público, quanto por meio do convívio dentro das residências.

O Manifesto lembra o caso da primeira morte por covid-19 no Rio de Janeiro, no município de Miguel Pereira. Uma empregada doméstica de 63 anos morreu após ser infectada pelo novo coronavírus porque continuou trabalhando na casa de sua empregadora, que havia voltado de uma viagem da Itália e apresentava sintomas da doença (que depois foi confirmada).

O texto também cita a relação de informalidade em que trabalham grande parte dos profissionais domésticos, que chegam a 6,3 milhões no país com apenas 1,5 milhão que possuem carteira assinada (segundo dados do IBGE).

O grupo também criou a página @pelavidadenossasmaes no Instagram, que divulga relatos de familiares das empregadas (os) domésticas.


Assine o manifesto pela quarentena remunerada das empregadas domésticas