Revista No Papel

A Revista Vaidapé é uma publicação impressa de distribuição gratuita editada pelo coletivo Vaidapé. Cada edição lançada pode ser adquirida nos festivais de lançamentos, que são divulgados neste site e em nossa página do Facebook, assim como nos pontos de distribuição espalhados por todas as regiões de São Paulo.

Para ler a Revista Vaidapé no formato PDF, clique na imagem de capa de cada edição.

Clique na imagem acima para acessar a página da Revista Vaidapé #06

Revista Vaidapé #06

Não estranhe a ausência de notícias sobre os acordos de gabinetes nas páginas que preenchem esta revista. É impossível escapar do momento histórico em que estamos inseridos, mas é necessário fugir das narrativas hegemônicas que estão estampadas nas manchetes dos jornais.

A mudança não virá de quem ocupa as cadeiras que pertencem aos mesmos interesses que as criaram. Os que lideram o suposto embate dos altos círculos da política continuam a passar por cima dos braços e pernas de quem dizem defender. Daquelas e daqueles que, de fato, construíram este país.

A locomotiva do progresso segue sua marcha e os corpos resistem sob suas rodas. Buscamos, nas páginas a seguir, retratar algumas das histórias de quem sempre foi oposição. Questão de sobrevivência.

No front, estão as catadoras de materiais recicláveis de uma cidade que produz 20 mil toneladas de lixo por dia. As pretas e pretos contrariando estatísticas e o silenciamento. As ocupações das escolas públicas, que mostram como o ensino precisa se transformar. As famílias da última favela do centro de São Paulo, resistindo ao cerco de fogo que as rodeia.

Nos quatro anos de Vaidapé, nosso maior aprendizado foi entender que crescer com junho de 2013 é não esquecer das Mães de Maio de 2006. E reconhecer que a resistência também é rimada pelas minas, pixada nos muros da cidade, dançada na capuêra. Nossa contribuição nesta luta é fazer circular gratuitamente a publicação que você agora tem em mãos. Boa leitura.

Informação não é mercadoria.

#05

Revista Vaidape 5

Editorial

A primeira edição da Vaidapé foi lançada há três anos, pouco antes da mobilização contra o aumento das tarifas do transporte público tomar as ruas de todo o país. De lá pra cá, vimos o preço do busão continuar a subir e com ele o desemprego, o lucro dos bancos e a repressão. A história anda com pressa e o globo segue aquecendo.

Quem concentra o maior poder de noticiar a tal da crise, que não é apenas política, não põe na tela todas as cores do país. Por mais que queiram nos tornar invisíveis, resistimos. Cresce a voz das mulheres, a mobilização indígena, o movimento hip-hop, os bailes de favela, a afirmação negra e LGBTT. Na corrida pro futuro temos de saber com quem e, principalmente, porque estamos juntos. Nossas reivindicações não nasceram ontem. A luta das mídias independentes é para criar narrativas que, de fato, contem a nossa história.

Esta publicação, que agora chega à quinta edição, é fruto de uma longa caminhada movida pela sede de mudança. Foi feita com o suor que escorre da insatisfação em ver violências abafadas pelo discurso midiático, pelo teatro político, pelas grandes empresas. Estampar a bandeira do estado de São Paulo, que financia o papel e a tinta dessa revista, é só uma das contradições que a realidade nos impõe. Sabemos que a mesma máquina que distribui migalhas em forma de editais perpetua o massacre contra as personagens que ilustram as páginas a seguir.

Informação não é mercadoria.

Clique na imagem da capa para ver o PDF.

#04

Editorial

Nas cidades em que o dinheiro governa e a dominação castra nossos sentidos, ainda afloram espaços de resistência. Locais, comportamentos, condições e pensamentos lutam contra a lógica do controle e do mercado. Existem. Às margens das políticas sociais e dos programas de televisão. Em choque com a Polícia, com a repressão.

A pista de skate reúne praticantes do esporte mais criminalizado da cidade, ainda que as butiques encham seus cofres e reduzam a luta aos cifrões. Nas quebradas, bairros e comunidades, omde o Estado só chega na figura do “coxa”, um encontro autônomo e horizontal faz suas próprias regras e acolhe almas. Nem os enquadros os enquadram.

Os quadros saem das molduras: sobem os muros, os prédios, as ruas. A cidade reprime e divide. O pixo resiste.Entre os muros altos e a segregação social, o pixador rompe com a propriedade privada e bate de frente com as imposições das cidades de concreto. Marcam com tinta
preta os prédios cinzas da elite do país.

Os infinitos tons de cinza causam esquizofrenia: o Brasil, recordista mundial no uso de agrotóxicos, envena nossas mesas e agride crianças com a palmatória química de suas drogas legalizadas, mas não tem a capacidade de liberar o uso medicinal da maconha. Não é guerra às drogas, é guerra contra pobres e desajustados.

No país da terceira maior população carcerária do planeta, a Casa Grande continua em pé. O sistema cria a figura do delinquente, estigma que recai sempre sobre os mesmos. Os encarcerados não vivem, sobrevivem no país das calças beges, onde o “partido” não tem programa eleitoral, tem o comando da capital.

Se antes apenas o número de presos homens crescia, a partir da década de 90, a prisão de mulheres passou a acompanhar o mesmo ritmo. Mulheres negras, reprimidas pelo patriarcado, pela escravidão e pelo racismo, sofrem nas mãos invisíveis do Estado branco

Homem branco, instituições mórbidas. Bárbara, mulher lutadora, que conta sua história em páginas desta revista, nos disse que vivia um casamento muito mais opressivo que seu trampo de prostituta, ou melhor, acompanhante – como faz questão de ser reconhecida.

A máscara cai. O casamento é o ringue da exploração e do sexo sem consentimento. Um estupro de sonhos liberdades. Com seus vícios e virtudes, resiste.

O papo é sem curva. Vaidapé.

Clique na imagem da capa para ver o PDF.

#03

Editorial

Nossas ideias são controladas. O mecanismo é complexo, mas o objetivo é claro: reprimir e inibir eventos que abalem a estrutura do sistema de dominação. A civilização impõe limites à produção material e à difusão do pensamento, aos quais a Revista Vaidapé está sujeita e sempre fará oposição.

Um aspecto do controle dos discursos é a segregação da loucura. As ideias dos loucos são consideradas nulas e inválidas. São apagadas e abafadas pelo discurso dos homens de bem: aqueles que têm o aval do cheiro azedo da velha mídia para fazer “justiça” com as próprias mãos.

Os loucos, no entanto, representam algo maior na crise da sociedade: são o cúmulo da marginalidade, afinal, o que falam não é “verdadeiro”. A obsessão pela verdade é outro fator que controla o que dizemos e ouvimos: os discursos são neutralizados por não corresponderem aos conceitos e valores que mantém o atual estado das coisas.

Como as ocupações que eclodem na zona sul de São Paulo, focos de resistência surgem e se consolidam na luta contra as opressões. Nesta edição, a Revista Vaidapé traz  as lições de vida da arte de rua, a carga histórica da capoeira como manifestação cultural, o futebol como elemento de mobilização popular e o desafio diário das mulheres negras.

A terceira edição da Revista Vaidapé que você tem agora em mãos é a conquista de um coletivo que é visto na “contramão” da história por alguns, por publicar uma revista em papel, algo não lucrativo. Distribuir gratuitamente do centro às periferias de forma independente? Muito menos.

O papo é sem curva. Informação não é mercadoria.

#02

Editorial

A luta pela mudança da realidade. A luta pela justiça. A luta pelo poder popular. A luta pelo fim dos muros. A luta por um transporte digno. A luta contra a violência policial. A luta pelo vinagre. A luta pelo fim das desigualdades. A luta por uma transformação radical. A luta pela livre manifestação. A luta pelas máscaras. A luta anti-sistêmica. A luta por um país honesto. A luta para mostrar que desonestidade é mais profunda que a capa do jornal. A luta pelo espaço público. A luta pelo futebol de várzea. A luta contra a especulação imobiliária. A luta através da arte. A luta para mostrar que a arte não é crime. A luta das margens. A luta dos marginalizados. A luta pela informação. A luta pela liberdade de expressão. A luta contra-hegemônica. A luta para crer: lutar é viver. O povo resiste, vai à luta e Vaidapé!

#01

Editorial

Odeia a mídia? Seja a mídia! Primeira edição da Vaidapé, revista independente que promete revolucionar seu modo de pensar e ver o mundo a partir de pautas alternativas e opiniões pouco ouvidas, colocando em discussão a cultura marginalizada e independente da sociedade contemporânea.